sábado, 26 de dezembro de 2015

Serei Crente?

(...) Serei  Crente? Resolvi a questão do céu através de uma evidência: entre todos aqueles que se entretêm a falar sobre a minha condição - grupos de anjos, de deuses, de diabos ou de livros -, soube, muito jovem, que eu era o único a conhecer a dor, a obrigação da morte, do trabalho e da doença. Sou o único a pagar a as facturas de eletricidade e a ser comido pelos vermes no fim. Portanto, rua! Para começar ,detesto as religiões e  a submissão. (...)

Kamel Daoud in Meursault, contra-investigação.
Pag 66, 44ed. Teodolito.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O negador de milagres

Chu Fu Tze, negador de milagres, tinha morrido; seu genro o velava. Ao amanhecer, o caixão se elevou e ficou suspenso no ar, a dois palmos do chão. O piedoso genro ficou horrorizado.
-Oh, venerado sogro - suplicou -, não destrua minha fé de que os milagres são impossíveis.
O caixão, então, desceu lentamente, e o genro recuperou a fé.

Citado em Confucianism and its Rivals, Lecture VIII, 1915.


Herber A. Giles

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sabor nas coisas

(...) Quando eu não tenho sabor nas coisa que eu vivo e faço, eu multiplico as coisas que eu vivo e faço. E falo mais. E saio mais. E faço mais festas. E tenho mais amigos. E viajo mais. E não paro de viajar. Porque como eu não consigo estar comigo, eu quero estar em todos os lugares do mundo, porque eu não tolero estar na minha casa, ou pensativo. Então eu tenho que estar no estresse do aeroporto. E visitando.  (...)  É uma vida para rodar, rodar, rodar, até que eu fique tão tonto que eu perca a consciência de mim mesmo. Por isso que nós viajamos mais do que jamais viajamos no passado. Porque nós não estamos vendo mais nada. E batemos fotos que vão para o computador e não vão ser vistas por ninguém, ou vão ser enviadas para 10 mil pessoas que não vão ver, ou vão ter inveja de eu estar viajando e vão responder apenas 'kkkkkk'. (...)


Leandro Karnal.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Quando Eu Me Chamar Saudade

(Nelson Cavaquinho)

Sei que amanhã
Quando eu morrer
Os meus amigos vão dizer
Que eu tinha um bom coração
Alguns até hão de chorar
E querer me homenagear
Fazendo de ouro um violão
Mas depois que o tempo passar
Sei que ninguém vai se lembrar
Que eu fui embora
Por isso é que eu penso assim
Se alguém quiser fazer por mim
Que faça agora.

Me dê as flores em vida
O carinho, a mão amiga,
Para aliviar meus ais.
Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces e nada mais

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Jornal da Morte

Vejam só esse jornal, é o maior hospital,
porta-voz do bang-bang, e da policia central...
Treslocada, semi-nua, jogou-se do oitavo andar, porque o
noivo não comprava maconha pra ela fumar.

Um escândalo amoroso com as fotos do casal,
um bicheiro assassinado em decúbito dorsal,
cada página é um tiro, um homem caiu no mangue,
só falta alguém espremer o jornal pra sair
sangue,sangue,sangue....

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

google Earth

google earth encerrando-se logo após início.
Não faço ideia do porquê, mas quando inicio o programa no Bash com o comando
google-earth --help
funciona perfeitamente bem.

O interessante é que não há qualquer mensagem de ajuda!

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sobre os Beatles

No dia em que mataram John Lennon meu filho chegou junto a mim e disse "Papai, mataram John Lennon!" Eu disse "Quem é John Lennon?"

 Agora pior do que eu foi um primo meu que perguntou "Quem é João Lemos?" Ele entendeu João Lemos.

Um cineasta do Rio de Janeiro disse que eu tinha afirmado isso pra fazer charme. Porque ele não acreditava que eu não soubesse quem era John Lennon. Eu digo: no tempo eu não sabia mesmo não. Eu só tinha ouvido falar nos Beatles, mas eu não sabia o nome dele não. Como eu hoje, eu só sei o nome dele. Porque mataram. Se matarem outro, eu devo saber também.


Ariano Suassuana

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O psiquiatra americano Ernest Hartmann,  da universidade Tufts,  proporcionou índicios anedóticos,  mas razoavelmente persuasivos,  de que as pessoas ligadas a atividades intelectuais durante o dia,  principalmente atividades intelectuais estranhas, exigem mais horas de sono à noite,  enquanto de modo geral,  aquelas envolvidas em tarefas repetitivas e intelectualmente pouco desafiadoras podem passar com muito menos sono.  Entretanto em parte por motivo de conveniência a organização,  as sociedades modernas são estruturadas como se todos os seres humanos tivessem as mesmas necessidades de sono;  e muitas partes do mundo existe uma impressão de retidão moral no fato de se acordar cedo. A quantidade de horas de sono exigida pelo acumulador dependeria então de quanto tereríamos pensado experimentado desde o último período de sono. 

Carl Sagan
Os dragões do Éden

domingo, 22 de março de 2015

Amélia x Emília

No imaginário popular ambas são uma só!

Amélia (Ataulfo Alves e Mário Lago)

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz
Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo que você vê você quer
Ai, meu Deus, que saudade da Amélia
Aquilo sim é que era mulher
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: Meu filho, que se há de fazer
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: Meu filho, que se há de fazer
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade
Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade


Emília (Wilson Batista)
Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar
Que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar
Só existe uma
E sem ela eu não vivo em paz
Emília, Emília, Emília
Não posso mais
Eu quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar...
Ninguém sabe igual a ela preparar o meu café
Não desdazendo das outras, Emília é mulher
Papai do Céu é quem sabe a falta que ela me fez
Emília, Emília, Emília
Não posso mais

Enoch Soames

Depois de ler o conto "Enoch_Soames" escrito em 1919 por Max Beerbohm, a primeira coisa que me veio a cabeça foi: "Alguém estava na sala de leituras do Museu Britânico em 3 de junho de 1997 às 14h10 para vê se o cara viajou no tempo mesmo? Google respondeu.


Sim. Aproximadamente 12 pessoas foram e viram o cidadão abaixo.

O cara realmente viajou no tempo? A histórica completa pode ser encontrada aqui.

terça-feira, 10 de março de 2015

(...) Faço-lhes, porém, esta petição: punam meus filhos quando crescerem, senhores, pertubando-os como eu pertubei vocês; caso lhes pareça que eles se preocupam menos com a virtude do que com o dinheiro ou outra coisa qualquer e pensam ser mais do que são, repreendam-nos como eu repreendi vocês por se preocuparem com o que não deveriam e acharem que significam alguma coisa quando não valem nada. Se fizerem isso, tanto eu quanto meus filhos teremos recebido o justo tratamento. (...)


Excerto de Apologia de Socrátes.

domingo, 1 de março de 2015

Mujica

Na porta da presidência do Uruguai, depois de 40 segundos tentando me fazer entender, eu consegui pronunciar uma frase inteligível ao policial:
-Mujica está acá?
-No, Mujica se fue a casa.
-Ok.

Depois eu fiquei pensando. Se Mujica tivesse lá, o policial teria dito: "só um segundo, vou chamá-lo"?

Hoje ele está deixando a presidência do Uruguai. Admirado por muita gente (me incluo neste grupo) pelo seu jeito simples, foi também um ótimo presidente para o país.